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Quadro de saúde do papa é considerado de risco, mas não há perigo de vida iminente, afirmam médicos
Publicado
1 ano agoon
Por
Redator
Os médicos do papa Francisco, de 88 anos, internado há uma semana no hospital Agostino Gemelli, em Roma, para tratar uma pneumonia bilateral, afirmaram nesta sexta-feira (21) que, apesar de ser um paciente frágil devido à idade avançada, o pontífice não está em risco de morte.
“Ele está fora de perigo? Não. Mas se a pergunta é ‘ele está em perigo de morte’, a resposta é não”, disse Sergio Alfieri, um dos médicos responsáveis pelo tratamento, durante uma coletiva de imprensa. “Agora, ele passou 20 minutos andando do quarto até a capela para rezar. Mas a situação, realisticamente, é essa: ele é um papa, mas também é um homem.”
Segundo Alfieri, Francisco está ciente da gravidade de seu quadro de saúde. O líder religioso não está acamado, mantém o bom humor, respira sem auxílio de aparelhos e tem o coração em perfeitas condições. No entanto, os médicos alertam que a situação ainda apresenta riscos, principalmente devido à idade avançada e à fragilidade do paciente.
O tratamento deve continuar por pelo menos mais uma semana, e a decisão de realizar ou não a tradicional oração pública do domingo (23) caberá ao próprio papa. “Trata-se de uma infecção importante, com muitos micróbios, uma pneumonia bilateral em um senhor que anda pouco, usa cadeira de rodas e tem 88 anos”, explicou Alfieri. “Não é fácil equilibrar a terapia. Ele está usando cortisona para facilitar a respiração, o que reduz a defesa imunológica e aumenta a glicemia, criando um terreno propício para infecções.”
O principal risco, segundo os médicos, é o desenvolvimento de uma sepse – uma resposta inflamatória exacerbada do organismo a uma infecção – caso os germes presentes nas vias respiratórias alcancem a corrente sanguínea. Apesar de isso não ter ocorrido até o momento, o risco persiste, mesmo com o tratamento farmacológico em andamento.
Os boletins médicos divulgados diariamente são redigidos pela equipe de especialistas e, após consulta ao papa, são liberados ao público. “O papa sempre quis que disséssemos a verdade”, afirmaram os médicos.
Na manhã desta sexta-feira, um comunicado do Vaticano informou que Francisco teve uma noite tranquila e já estava levantado do leito hospitalar. Questionados sobre a ausência de imagens do líder religioso durante a internação, os médicos explicaram que é necessário respeitar sua privacidade. “Não é que ele fica vestido como papa o dia todo”, disse Alfieri.
Os médicos também revelaram que, diante de dificuldades respiratórias evidentes desde o dia 5 de fevereiro, o papa já havia iniciado um tratamento na Casa Santa Marta, sua residência no Vaticano, para manter seus compromissos de trabalho.
A Santa Sé já havia anunciado que a missa papal deste domingo será liderada por um alto funcionário do Vaticano, devido ao estado de saúde de Francisco. Todos os compromissos públicos do pontífice foram cancelados até o fim da semana, e ele não tem mais eventos oficiais no calendário divulgado pelo Vaticano.
Francisco foi hospitalizado inicialmente por uma bronquite, mas, na terça-feira (18), o Vaticano confirmou o diagnóstico de pneumonia bilateral, uma infecção grave que dificulta a respiração e pode inflamar e cicatrizar os pulmões. O anúncio reacendeu a preocupação com a saúde do líder da Igreja Católica, que teve parte do pulmão direito removido quando jovem.
Na quarta-feira (19), a Santa Sé informou que os exames de sangue mostravam uma “leve melhora”, especialmente nos indicadores de inflamação. No mesmo dia, o papa recebeu a visita de colaboradores próximos e da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
Apesar do diagnóstico, funcionários do Vaticano afirmam que Francisco continua se mantendo informado e trabalhando – lendo e assinando documentos, escrevendo e conversando com seus colaboradores. A recuperação do pontífice segue sendo acompanhada de perto, enquanto ele enfrenta mais um desafio em sua já marcante trajetória.


















